A dinâmica do mercado de trabalho tem passado por transformações profundas nos últimos anos, impulsionadas por fatores como avanço tecnológico, pandemia, novas demandas dos profissionais e a busca por modelos mais flexíveis de operação. Nesse contexto, os espaços de coworking, antes associados majoritariamente a startups e profissionais autônomos, vêm se consolidando como uma alternativa estratégica também para empresas tradicionais. Entre os modelos oferecidos, o uso de salas privativas tem ganhado destaque por reunir privacidade, estrutura corporativa e economia.
De acordo com o censo da Coworking Brasil, o país já conta com mais de 1.600 espaços de coworking ativos, sendo que aproximadamente 35% das empresas que utilizam esse tipo de ambiente possuem mais de 10 funcionários. A modalidade de salas privativas, dentro desse contexto, tem crescido ano a ano. O motivo? Ela permite a instalação de equipes inteiras com a mesma estrutura de um escritório convencional, mas com menos burocracia e custos significativamente reduzidos.
Economia e praticidade na medida certa
A locação de uma sala privativa em coworking geralmente inclui em um único boleto mensal itens como aluguel, água, luz, internet, IPTU, segurança patrimonial, recepção, limpeza, manutenção e até serviços de copa. Ou seja, o empresário elimina a necessidade de contratar diversos fornecedores ou lidar com vários pagamentos, o que representa não apenas economia financeira, mas também de tempo e energia operacional.
Outro fator importante é o baixo investimento inicial. Ao optar por esse modelo, o empreendedor se livra de gastos com reformas, licenças municipais, instalação de infraestrutura de rede e compra de mobiliário. Em muitos casos, a sala já vem equipada com mesas, cadeiras ergonômicas, ar-condicionado, armários e até equipamentos de videoconferência, prontos para uso imediato.
Segundo dados da consultoria Cushman & Wakefield, o custo de implantação de um escritório tradicional pode variar de R$ 1.500 a R$ 3.000 por metro quadrado, dependendo do padrão da obra. Já a contratação de uma sala privativa em coworking elimina até 90% desses gastos iniciais, além de permitir contratos com prazos flexíveis, que se adaptam ao momento financeiro da empresa.
O espaço mais caro e metro quadrado mais caro de qualquer cidade é aquele que você paga sem usar.
Crescimento com menos risco
Para empresas em expansão, as salas privativas são uma opção estratégica. Elas permitem que o negócio ocupe um espaço profissional bem localizado, com infraestrutura de alto padrão, sem a rigidez dos contratos de aluguel convencionais. Isso é particularmente útil para startups, escritórios regionais de grandes empresas ou profissionais liberais em fase de crescimento.
Por outro lado, companhias que estão adotando o modelo híbrido de trabalho ou combinando dias presenciais e remotos, também encontram nos coworkings uma alternativa eficiente. Ao invés de manter escritórios inteiros ociosos durante parte da semana, muitas têm optado por reduzir seu espaço físico e alocar suas equipes em salas compartilhadas ou privativas, com base nas necessidades reais de uso.
Privacidade e identidade preservadas
Ao contrário do que muitos pensam, coworking não significa abrir mão de identidade ou privacidade. As salas privativas são projetadas para oferecer isolamento acústico, acesso controlado, personalização visual e um ambiente exclusivo para cada equipe, preservando a cultura da empresa e garantindo a confidencialidade de reuniões e documentos.
Além disso, a convivência com outros profissionais no mesmo espaço pode gerar oportunidades de networking e parcerias estratégicas. Muitos coworkings promovem eventos, palestras e rodadas de negócios que incentivam a colaboração e o crescimento mútuo entre os ocupantes.
Uma tendência que veio para ficar
Estudos apontam que os espaços de coworking devem continuar em expansão nos próximos anos. De acordo com a consultoria JLL, especializada em imóveis corporativos, o modelo de escritórios flexíveis deve representar 30% do mercado imobiliário corporativo global até 2030. No Brasil, a adesão também é crescente, impulsionada principalmente pelas pequenas e médias empresas.
Para muitos empresários, a sala privativa em coworking representa uma verdadeira virada de chave: menos custos, mais eficiência e um ambiente de trabalho moderno e motivador. Trata-se de uma solução inteligente para um cenário empresarial que exige cada vez mais agilidade, inovação e capacidade de adaptação.
Murilo Gomes
é jornalista, empreendedor e fundador do Nexus Coworking.
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